Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Oração a Mim Mesmo - de - "Oswaldo Begiato"

.Que eu me permita olhar, escutar e sonhar mais.

.Falar menos, chorar menos

Ver nos olhos de quem me vê, a admiração que eles têm e não a inveja que prepotentemente penso que têm.

.Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática, as palavras que se fazem gestos, e os gestos que se fazem palavras.

.Permitir sempre escutar aquilo que não tenho me permitido escutar.

.Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim e comigo morreram por eu não os saber sonhos.

.Então que eu possa viver os sonhos possíveis , e os impossíveis , aqueles que morrem e ressuscitam, a cada novo fruto, a cada nova flor , a cada novo calor, a cada nova geada, a cada novo dia.

.Que eu possa sonhar o ar, sonhar o mar, sonhar o amor, sonhar o amalgamar.

.Que eu me permita o silencio das formas, dos movimentos, do possível , da imensidão da toda a profundeza.

.Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras. Pela oração mental (aquela que a alma cria e que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde).

.Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar a forma, vislumbrar as curvas, desenhar as rectas, e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida.

.Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos, fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me e recriando-me a cada instante.

.Que eu possa chorar de tristeza e mais de contentamentos.

.Que meu choro não seja em vão, que em vão não sejam minhas duvidas.

.Que eu saiba perder meus caminhos, mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.

.Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo.

.Que eu não tenha medo dos meus medos!

.Que eu adormeça toda a vez que for derramar lágrimas inúteis, e desperte com o coração cheio de esperança.

.Que eu faça de mim um homem sereno dentro da minha própria turbulência , sábio dentro de meus limites pequenos e inexactos, humilde diante de minhas grandezas tolas e ingénuas , (que eu me mostre o quanto são pequenas minhas grandezas e o quanto é valiosa minha pequenez).

.Que eu me permita  ser Mãe, ser Pai, e se for preciso ser órfão .

 Permita-me eu ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei, traduzir o que os mestres ensinaram e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências. Respeitar incondicionalmente o Ser, o Ser por si só por mais nada que possa ter além de sua essência .

Auxiliar a solidão de quem chegou, render-me ao motivo de quem partiu e aceitar a saudade de quem ficou.

sinto-me:
publicado por lucilia_cunha às 22:40

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